Depois da Lava Jato, Odebrecht investe para evitar corrupções

Envolvida em esquema de corrupção o grupo Odebrecht está investindo em sua área de governança e conformidade.

Por conta do pagamento de propina para obras em 12 países e a centenas de políticos, a companhia firmou em dezembro de 2016 acordo de leniência para pagamento de 2,6 bilhões de dólares, com os governos do Brasil, Estados Unidos e Suíça.

Dos 77 executivos que colaboraram com as denúncias e que tinham conhecimento dos desvios praticados pela empresa, 51 foram desligados, diz a companhia. Os outros 26 continuam na companhia para passar seus conhecimentos sobre setores específicos, mas não podem exercer cargos executivos ou tomar decisões.

Os escândalos levaram a empresa a investir em compliance para diminuir a possibilidade de novos casos de corrupção dentro da companhia. Foi assim que Olga Pontes, responsável pela área na companhia, apresentou alguns dados à imprensa na última terça-feira (25/07/2017).

Para a executiva, impedir a corrupção no mundo é uma tarefa praticamente impossível, que só seria viável com a colaboração mundial. Um dos problemas apontados por ela são os sistemas bancários de alguns países que permitem a formação de paraísos fiscais.  “Por isso, a colaboração entre países para prevenir e investigar esses desvios é tão importante”, acrescentou.

Desde fevereiro de 2017 a companhia é monitorada internamente por cerca de 20 membros do Ministério Público e do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O processo deve demorar três anos e os custos são pagos pelo grupo.

Eles investigam contratos, balanços, pagamentos a fornecedores, documentos e têm carta branca para entrar em qualquer lugar da companhia. Atualmente, investigam as operações do grupo no Brasil, Venezuela, Panamá, Argentina, Angola e República Dominicana.

De acordo com Olga Pontes, só duas empresas estão sendo monitoradas por autoridades no Brasil: o grupo Odebrecht e a Embraer. Mas ela acredita que o processo é positivo. “Historicamente, todas as empresas que saíram do monitoramento se tornaram mais fortes, o que nos dá esperança”, afirmou.

Além do monitoramento pelo governo, a Odebrecht aumentou sua equipe dedicada a conformidade, contando hoje com 63 funcionários. A empresa também ampliou a participação de membros independentes nos conselhos de administração de seus nove negócios. Até o fim do ano, a meta é ter 23 pessoas nessa situação.

“Sei que é difícil, por tudo o que aconteceu com a empresa, acreditar que a gente pode mudar”, afirma Pontes. A empresa está se esforçando para passar a imagem de mudança.

Fonte: Exame

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