Empresas em busca de blindagem contra a corrupção

A crise institucional que o Brasil atravessa tem potencial para provocar uma revolução positiva no meio empresarial. As organizações reagiram às investigações sobre corrupção com um mergulho interno visando promover profundas mudanças na sua estrutura que possa blindá-las dos problemas. Faz parte das medidas instalar controles internos para evitar práticas fraudulentas e estimular denúncias anticorrupção. É o que as companhias chamam de compliance, uma área em franco crescimento no país. A palavra em inglês que se apoderou do vocabulário dos executivos locais quer dizer agir de acordo com a norma, mas também em conformidade com a ética e regras de transparência.

Alguns setores estão mais preparados do que outros para o desafio. A área financeira, por exemplo, já está mais madura na implantação dessas equipes, até por exigência de seus próprios negócios. O banco Itaú, controlado por diversas instituições, como a Comissão de Valores Mobiliários e o Banco Central, sabe que precisa ter cuidado redobrado para não cometer deslizes. O setor de compliance da empresa já está estruturado. Lá, qualquer reunião tem uma ata ao final. Criação ou modificação de produto depende de aprovação de órgãos superiores. Há treinamento constante de funcionários, que assinam termos de conduta, declarando ter conhecimento de todas as regras a que estão submetidos. A principal regra, estampada em todas as paredes, é: “Ética é inegociável”.

Na Petrobras, a ação de Due Diligence de Integridade, que integra o Programa Petrobras de Prevenção da Corrupção, requer de empresas fornecedoras informações sobre relacionamento com agentes públicos, e seu histórico de integridade, que vão compor uma nota de Grau de Risco de Integridade (GRI), entre baixo, médio ou alto. Este é um dos critérios que são considerados para garantir a participação de potenciais fornecedores em licitações da Petrobras.

E há uma razão para tudo isso: o prejuízo para o caixa das empresas. Um estudo da americana FTI Consulting mostrou que 83% das multinacionais instaladas em países emergentes sofreram perdas causadas por subornos e fraudes.

Fonte: El País

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